sexta-feira, 29 de abril de 2011

Cadê minha mãe?

Bruno: fiz essa pergunta com três anos de idade, ela tava no buteco bebendo e paquerando outros rapazes, essa minha mãe viu...
Aline diz:
ahhahaha...se bobear também fiz essa pergunta pelo mesmo motivo...quando era menor.
Bruno diz:
hahaha
osso
por isso sou assim...
Aline diz:
ahahaha..assim como? criativo?
Bruno diz:
também
quando isso aconteceu eu era criança tive que aprender como me comunicar com o mundo exterior, chamar a atenção para pedir ajuda, mesmo sem saber o que isso significava, improvisei e comecei a bater nas grades, hahahaha, como um prisioneiro.
Aline diz:
mas deve ter lhe dado autonomia pra fazer as coisas que deseja.
Bruno: Sim, isso ficou no meu subconsciente e ajudou a moldar a minha capacidade criativa e minha força de comunicação.
Aline diz:
mas voce acha que foi uma coisa ruim ou boa?
Bruno: Acho que foi bom, mostrou o vacilo da minha mãe e eu tive o primeiro grande confronto com o mundo, o confronto no sentido de haver um problema e encara-lo.
Aline diz:
ui..que ótimo..acho pessimo pessoas que ficam cultivando traumas de infancia.
Bruno diz:
eu sou louco por outros motivos e não trauma, se você não supera traumas até os 15 anos você é um frustrado infanto.
Aline diz:
todo mundo erra...ou talvez nem seja erro..considerando que sempre analiso os fatos como se fosse eu (a mãe)..e se tivesse sido mae com 20 anos tabém.
Bruno diz:
salve a caipirinha!
Aline diz:
ahahaha..

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Paulista píviana

nus & feéricos/ olho no gatilho meia-lua/ nado esta

manhã a favor da correnteza/ à deriva/ no miolo do

furacão/ eu era uma Sibila entre os gonzos da lingua-

gem/ Samba-Vírus/ exus nanicos carregando cabaças

de pedra da lua no portal do meu ouvido/ cruzamento

das Avenidas Assassinato & 69/ garoto-pombinha no

balcão da lanchonete/ esperando o pernilongo da Mor-

te/ estrelas rachadas gotejam leite dos deuses/ é com

este que eu vou sambar até a Pradaria -Kamikase/ no

trecho Belém-Brasília da Teogonia / Paulista desviou de dois mendigos / E um travesti
Vive a desilusão da festa / Ernesto guerreou / Paulista planejou / Analisou e inventou
Aglomerou em teu vicio de grandeza / Vive na agonia da oscilação / Da bolsa materna
Ao útero dos eruditos / Casa dos malditos / Porto da desilusão / Sorri em mil cores para o caos / Ouvem-se

clamores / De uma catraca livre / No metro que oprime / Paulista guetista
Paulista narcisista / Quanto aguentas mais? / Um furacão de tensão / E um caminhão de peão?
Faz do seu dia Gothan City / Script perfeito da superação / Persona da trama educação
Esbanja tentação / Alamedas de cones laranjas / Avenidas de mijo etílico / Quero tua maçã
Quero hoje e não amanha! / Ache certo e assine o contrato / Achou errado ter saído do mato
O ato firmado / De ser civilizado / E não mais um paulista / Com seu fundo prato
A sombra do burguês / Chama-se pobreza / O teu eterno medo / A aflição do pobre
É chamado sistema / Emblema da divisão / Basta atravessar a Augusta / Ou passar pelo Capão
Coragem ou morte? / Ordem em recesso / Está nas bandeiras de sua gente / Sexo e mais dinheiro / É a FOME / Que

engole até poeta / Que esperto achou que era /
Foi engolido por Santo Paulo dos fazeres / Pura tolice sua / Achar que o blasé / É estatua tua / És falsa e nua

/ Tua verdadeira imagem / De que conduz / Se é a massa que produz!
Reduz o meu penar / Saber que és tu também paulista / De ser guerreiro e artista.

Piviano

"nus & feéricos/ olho no gatilho meia-lua/ nado esta

manhã a favor da correnteza/ à deriva/ no miolo do

furacão/ eu era uma Sibila entre os gonzos da lingua-

gem/ Samba-Vírus/ exus nanicos carregando cabaças

de pedra da lua no portal do meu ouvido/ cruzamento

das Avenidas Assassinato & 69/ garoto-pombinha no

balcão da lanchonete/ esperando o pernilongo da Mor-

te/ estrelas rachadas gotejam leite dos deuses/ é com

este que eu vou sambar até a Pradaria -Kamikase/ no

trecho Belém-Brasília da Teogonia" (Quizumba, 1983)