quinta-feira, 21 de abril de 2011

Paulista píviana

nus & feéricos/ olho no gatilho meia-lua/ nado esta

manhã a favor da correnteza/ à deriva/ no miolo do

furacão/ eu era uma Sibila entre os gonzos da lingua-

gem/ Samba-Vírus/ exus nanicos carregando cabaças

de pedra da lua no portal do meu ouvido/ cruzamento

das Avenidas Assassinato & 69/ garoto-pombinha no

balcão da lanchonete/ esperando o pernilongo da Mor-

te/ estrelas rachadas gotejam leite dos deuses/ é com

este que eu vou sambar até a Pradaria -Kamikase/ no

trecho Belém-Brasília da Teogonia / Paulista desviou de dois mendigos / E um travesti
Vive a desilusão da festa / Ernesto guerreou / Paulista planejou / Analisou e inventou
Aglomerou em teu vicio de grandeza / Vive na agonia da oscilação / Da bolsa materna
Ao útero dos eruditos / Casa dos malditos / Porto da desilusão / Sorri em mil cores para o caos / Ouvem-se

clamores / De uma catraca livre / No metro que oprime / Paulista guetista
Paulista narcisista / Quanto aguentas mais? / Um furacão de tensão / E um caminhão de peão?
Faz do seu dia Gothan City / Script perfeito da superação / Persona da trama educação
Esbanja tentação / Alamedas de cones laranjas / Avenidas de mijo etílico / Quero tua maçã
Quero hoje e não amanha! / Ache certo e assine o contrato / Achou errado ter saído do mato
O ato firmado / De ser civilizado / E não mais um paulista / Com seu fundo prato
A sombra do burguês / Chama-se pobreza / O teu eterno medo / A aflição do pobre
É chamado sistema / Emblema da divisão / Basta atravessar a Augusta / Ou passar pelo Capão
Coragem ou morte? / Ordem em recesso / Está nas bandeiras de sua gente / Sexo e mais dinheiro / É a FOME / Que

engole até poeta / Que esperto achou que era /
Foi engolido por Santo Paulo dos fazeres / Pura tolice sua / Achar que o blasé / É estatua tua / És falsa e nua

/ Tua verdadeira imagem / De que conduz / Se é a massa que produz!
Reduz o meu penar / Saber que és tu também paulista / De ser guerreiro e artista.

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