quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Uma Fome na Arte


Fome na Arte

Como no conto de Kafka um artista da fome  situação do artista no Brasil é em muito análoga vivemos querendo ou não em uma sociedade capitalista e a arte é uma profissão e ganha pão de muitos e sendo ganha pão tem um valor, faço a analogia com o conto em quatro elementos do conto: A Jaula, o Artista da Fome, A Palha e o público.
Toma como referência o argumento Uma Estética da Fome de Glauber Rocha: Este condicionamento econômico e politico nos levou ao raquitismo filosófico e a impotência, que , as vezes inconsciente, as vezes não, geram no primeiro caso a esterilidade e no segundo a histeria.
Primeiramente A Jaula que é a politica publica os incentivos fiscais e a máfia que existe por de trás, é tão ineficiente a lei de incentivos que apenas 20% dos projetos que usam o incentivo conseguem realizar os seus projetos, ou seja, 80% morrem na praia, essa ilusão que o governo promove alegando inclusão do artista na sociedade é a jaula que o artista da fome fica condicionado, uma jaula de insegurança e um palco de desconfiança.
O personagem principal O Artista da Fome não precisa de apresentações e a analogia está evidente no seu nome e na sua forma, o artista trabalha em condições adversas mas acima de tudo convicto da sua arte e da sua verdade, a sua magreza demonstra claramente a questão financeira, mais uma vez abordada> como na ficção de Kafka as pessoas acham que artista não come, que o que ele faz não é trabalho por isso o desprezo e esquecimento é uma evidencia clara que os olhos do corvo almejam para um jantar lento e triste.
A Palha, aqui eu coloco como a obra em si, a devoção pela arte, nos artistas vivemos sobre ela e no final nos unimos metafisicamente á ela tornando uma coisa só sem a limitação do corpo físico, dessa forma, damos lugar para o Tigre chamado futuro ocupar o espaço físico que ficou.
Finalmente O Público, esse em nada difere da realidade: espectadores ávidos pela estranheza que é o artista, sempre provocando e fiscalizando (policiando) como a eterna duvida do viver artístico, artista é um ser comum que faz os seus sentimentos algo físico é a ponte entre o metafisico e o físico, como em meu poema sintetizo:

“O Poeta faz arte
Não é um Santo milagreiro...”

3 comentários:

  1. Muito bom. Atual e têm compreendido o fenômeno com senso político... Os estudos estão rendendo frutos... No entanto, a arte não deixa de ser um ato de coragem e risco, uma vez que pode carecer do feedback de um publico. Publico este que já esta condicionado e se condicionando mais e mais a formatos artísticos superficiais e monotípicas na forma, cada vez menos espontânea e livre, mas formatada, e este com certeza é o maior problema ao meu ver. Mas a arte se renova e contrareaciona, este é seu poder e mérito, também sua beleza heróica... O texto ficou ótimo Bruno, lindo, meus parabéns!

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